Meu raciocínio há muito não se completa, empaca, atrasa. Eu estava convicta, juro que estava. Mentira. Ando fazendo tanto isso, mentindo tanto para eu mesma, enganando tanto meu olhar. Mentira novamente. Meu olhar e meu coração são unânimes e sabem o que querem, sabem o sentido real de tudo o que tenho vivido. Tantas coisas foram ditas, tão poucas realmente foram ouvidas e ainda há tanto a se expor. Você não me dá atenção e sabe que era exatamente isso que eu mais precisava. Mentira. Eu preciso mesmo é do temor em meu peito, a angústia da espera, o disfarce tão manjado de um acaso óbvio e criado por mim, para que aqueles dias a teu lado tornassem-se um pouco mais próximos do meu imaginário. Isso me parece tão mais distante agora. Será culpa do tempo? A espera foi tão longa... a espera nem chegou a acabar! Você deve imaginar que não quero ter que colocar um fim nisso tudo. Isso tudo o que? Espere, você não entende nada do que estou falando, não é? Você não tem compreendido nada desde que comecei a sentir e tentar dizer. Eu sou péssima em tentar te fazer entender, não é? Só pode ter sido minha culpa, então. Culpo-me pela falta de planejamento, pelo mal preparo de um jogo de conquista implacável e pelo desespero evidente em minha voz trêmula sempre presente junto a você. Culpo-me mais e culpo-me sempre, por toda a plateia que nos rodeia e pelas horas incontáveis em que te criei do meu jeitinho mas que me decepcionei com o seu jeito de ser; a culpa foi minha por te cobrar aquilo que você era mas que deixou de ser há muito tempo. Eu sinto tanta saudade daquela época... mas tem razão, eu sou a culpada, está tão óbvio. Parei com todas as exigências, então. Parei com a corrida incansável contra um relógio interno, inserido em você. Parei com os olhares pedintes e a esperança cantante (uma canção de ninar delicada e suave que acalma meu coração e, logo em seguida, transforma-se em rock, metal, um som gritante que enlouquece e machuca-me). Parei com tudo, estou só novamente. A culpa de tudo foi minha, com certeza.
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