Carência é uma palavra horrível, sempre achei. Acho que é porque todas as pessoas que se diziam carentes ou que eram denominadas por outros como tal eram, ao meu ver, desprovidas (e muito) do brilho da vida. O que? Como assim? É, aquele brilho que as pessoas mais interessantes, divertidas e felizes tem, que contagia o ambiente, que te anima a querer conhecer melhor essa pessoa, que transforma a convivência em algo mais gostoso de se viver. Pois bem, os carentes quase nunca tinham esse brilho para mim e eu sempre achei que ser carente era quase como uma doença chata que insistia em ocupar a mente das pessoas ao meu redor.
A verdade é que a carência existe mesmo e todos estamos sujeitos a ela, quase como se fosse uma fase da vida que, vez ou outra, vamos passar e repassar até que conquistemos algo e passemos para o próximo nível. O problema todo é que se sentir carente carrega consigo uma centena de possíveis atitudes ou sentimentos que às vezes são capazes de atrapalhar nossa vida. Quer um exemplo? É muito comum que comecemos a enxergar romance em pessoas que antes nos eram invisíveis - como aquele melhor amigo quase irmão ou o garoto da faculdade que é completamente seu oposto mas às vezes sorri gostoso pra você. E nessa onda você começa a criar um mundo de amores e se joga no colo do primeiro doido que aparecer, como se beijar fosse a coisa mais importante do universo. Acaba se entregando ao cara errado, da maneira errada, sem muito zelo nem nada e quando vê, está sofrendo por alguém que só queria mesmo era se divertir com você, te 'dar uns pegas' sem compromisso.
Carência é muito sinônimo de 'impulsividade' e pode gerar problemas pros dois lados. Às vezes quem sofre é você, que se entregou demais ou esperou demais por algo que não viria e que, se você não estivesse tão carente, já teria percebido com antecedência. Às vezes quem sofre é a outra pessoa, que mal imaginava que seu amor fosse apenas carência, vontade de abraçar e beijar e receber carinho, nada além disso - mas aí, sem saber, o outro pode se jogar e quebrar a cara, sendo iludido por uma paixão inexistente. No fundo, acho que o melhor a fazer é tentar se livrar dela o mais rápido possível, se dedicar às amizades e planos pessoais e, quando for o tempo certo, entrar de cabeça num amor que valha a pena, sem magoar ninguém nem se iludir por essa fase tão confusa que às vezes passamos.