Cuide de mim, por favor. Sinto-me tão frágil, sensível a qualquer toque um pouco mais forte do que o habitual. É que essas pessoas a meu lado me afugentam! Causam em meu peito um furor que dói tanto que chega a perfurar meus escudos mais resistentes. Todas as palavras, uma a uma, cortam meu corpo de maneira feroz e sinto-me abandonada. Já posso voltar para meu casulo? Não sei mais voar e brilhar como borboleta, me perdoe. Todo dia é dia de pensar no que fazer e nunca é dia de fazer. E o que fazer? Me deixe chorar baixinho, assustada com a força dos gestos e palavras deles. Me deixe ver o horizonte com um olhar perdido em lágrimas honestas, saídas da mais pura dor em meu peito. Deixe-me encolhida em um cantinho da casa vazia para que ninguém se lembre (como se em algum momento já tivessem se lembrado) de que ainda existo ali, incomodada com a realidade amarga que nos envolve. Não venha nem faça nada, meu sofrimento é inevitável e não há cura vinda de você. Não precisa nem sorrir, nem chorar, nem encontrar meus olhos pois eles já não lhe veem, estão cegos. Meu peito explode e pedacinhos miúdos de mim se espalham por todos os cantos. Deixe-me, ainda há muito a recolher.
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